Qual é a utilidade substantiva do próximo Congresso do PSD em Mafra?
Estimular o surgimento de candidatos à liderança? Não me parece. Os actuais candidatos surgiram há muito tempo (um há dois anos, os outros há três meses) e num contexto muito diferente. Duvido que outros candidatos surjam no dito congresso. Seria ilógico com os requisitos solicitados a algumas das candidaturas (pelo menos às mais sérias) e traduziria mais uma das dimensões erráticas da lógica de conquista do poder no PSD.
Constituir um espaço privilegiado de debate da estratégia do partido? Não me parece que um partido estruturante da democracia portuguesa possa aceitar que um Congresso (com cinco ou seis horas destinadas a intervenções de natureza política) seja o terreno privilegiado para debater, seriamente, o seu papel como alternativa do governo do país. Um partido que durante 15 anos revelou grandes dificuldades em reflectir sobre si mesmo e sobre esse papel, dificilmente curará em seis horas o que não curou em 15 anos.
Possibilitar que os actuais candidatos apresentem ao partido (representado por cerca de 800 delegados) as suas ideias? Seria ofensivo acreditar nisto. As campanhas internas (desde que há partidos e mesmo em congressos electivos) têm outra natureza, outros modos e outros códigos.
Tratar de modificações estatutárias? Seria risível que num processo de luta pela liderança do partido, em eleições directas, um congresso trata-se de alguns dos aspectos da regulação da máquina, quando se assistiu recentemente à incapacidade de o partido fazer funcionar a comissão de revisão (estruturante) dos estatutos.
Então para que serve? Não cumprindo nenhuma das funções anteriores (nem a de aclamação ou a de celebração), dificilmente poderá corresponder aos objectivos e interesses de quem lutou para o convocar. Mas temo, essencialmente, que sirva de pouco ao partido.













